És um reflexo daquilo que comes?

Começamos o post de hoje por te colocar uma questão: de que maneira é que achas que a tua alimentação tem contribuído para o aumento do efeito de estufa à superfície terreste?

Numa primeira análise, a resposta mais rápida seria “de maneira nenhuma”, mas a verdade é que as coisas não são bem assim e não devem ser encaradas de forma leviana e passageira porque nunca houve tantas pessoas no planeta terra nem nunca foi necessário aumentar o mercado da carne como hoje é feito.

Estima-se que até 2050 a população mundial cresça em 2.3 mil milhões de habitantes, chegando, praticamente aos 10 mil milhões e que o consumo de carne cresça de forma paralela, ultrapassando aquilo que hoje um adulto consome, em média, durante um ano, 41Kg. Por isso, vamos começar por entender a base do problema e avançar para as possíveis soluções.

1. DE QUE MANEIRA É QUE O EFEITO DE ESTUFA É POSTO EM CAUSA?

A maioria dos animais dedicados à alimentação humana como cabras, ovelhas e bovinos produzem metano e óxido nitroso proveniente da ruminação e do processo de alimentação natural destes animais – a chamada, fermentação entérica  – que, não seria um problema para o ambiente se fosse feito de forma natural e sustentável e não de forma massificada como hoje é feito.

Apesar dos valores apresentados incialmente, muitas são as pessoas que continuam a acreditar que a indústria da carne não é preocupante e deve continuar a existir da maneira que foi implementada até hoje. Aquilo que continuamos a não associar a este facto é que a indústria não gira apenas à volta do gado.

Estudos recentes feitos pela FAO – Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação – estimam que “as emissões anuais da agricultura animal registam 14,5% das emissões humanas totais (41%)” o que está relacionado com muitos outros fatores que vão para além dos animais em si e que se prendem com os químicos e pesticidas usados na agricultura e com o espaço ocupado pelos animais ou, neste caso, com a falta do mesmo e com a necessidade crescente de desflorestação para pastagem de gado que tem um crescimento previsto de 400 milhões de hectares nos próximos anos, ultrapassando a dimensão geográfica da Índia.

2. PODEMOS ALTERAR AQUILO QUE HOJE É A RELIDADE PARA UMA ÍNDUSTRIA MAIS SUSTENTÁVEL?

Sim, podemos, mas a escolha passa por aqueles que gerem a economia e que conseguem influenciar a agricultura, através da proteção dos espaços e da legislação do mercado, com foco na implementação de cuidados veterinários antecipados e rações cuidadas que façam com que os animais cresçam de forma rápida mas saudável não lançando para a atmosfera toda uma serie de químicos e hormonas contaminadas provenientes daquilo que eles próprios ingerem.

De qualquer maneira, tudo isto depende de país para país e do financiamento com que cada um pode revolucionar a agricultura e, nesse sentido, tem surgido uma serie de tecnologias capazes de reduzir a fermentação entérica através de aditivos alimentares como é o caso do 3-nitrooxypropan (3-NOP).

3. PARA ALÉM DE MEDIDAS GLOBAIS, DE QUE MANEIRA É QUE A MUDANÇA PODE PASSAR POR CADA UM DE NÓS?

Se cada um de nós adaptasse a nossa alimentação às necessidades do planeta não chegaríamos ao ponto em que estamos hoje, mas a verdade é que as estimativas apontam para um crescimento de 88% no consumo de carne vermelha até 2050 o que continua a exigir do planeta terra uma grande capacidade de renovação e sustentação. Por isso, o ideal é adaptar o nosso dia a dia através de pequenos gestos, aumentando o consumo de substitutos proteicos e outro tipo de carnes, brancas ou biológicas.

Reduzindo, desta maneira o consumo de carne, por pessoa, para 52 calorias semanais!

Se mesmo assim não estás convencido, deixamos-te um site em que podes calcular a tua própria mudança, através da medição do teu contributo e do teu esforço para o Planeta Terra.

Nós já fizemos o teste e num mês sem comer carne, salvámos 17 animais e impedimos que 60,78Kg de CO2 fosse libertado para a atmosfera!

Desafiamos-te a fazer o mesmo!

Aproveita para ver o documentário “Cowspiracy” recomendado pela nossa equipa!

Referências:


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